AS CHAVES DA CURA

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Solidao

RESSENTIMENTOS COM DEUS

Então foi em vão que conservei o coração puro e na inocência lavei as minhas mãos? (Sal 72,13)

Perdoar a Deus?

Pode parecer estranho, mas muitas pessoas precisam, e se trata de um importante estágio da cura através do perdão.

A imagem de Deus como Pai, está profundamente ligada a figura do pai biológico, pois a idéia de paternidade é naturalmente estabelecida a partir da pessoa e do relacionamento com o genitor, ele é a primeira referência palpável que temos sobre o “ser pai”. Diante de um pai que apresenta falhas como ausência afetiva, alcoolismo, violência, traição, etc., pode haver uma associação de figuras e o surgimento da idéia de que Deus não é tão bom assim.

Quando nos deparamos com um desejo não realizado, logo podemos pensar que Deus é distante e desinteressado, diante da doença, alguma tragédia ou morte, o julgamos violento e vingativo, e quando vemos os outros se realizando emocionalmente ou materialmente, Deus pode estar nos traindo ou mostrando sua predileção por outro filho.

Racionalmente entende-se que são pessoas diferentes, mas inconscientemente as figuras estão relacionadas, como conseqüência o relacionamento com Deus fica limitado e reduzido a uma projeção. Com isso entendemos melhor a grande importância do perdão ao pai biológico, pois só a partir daí conheceremos e experimentaremos o amor de Deus Pai como realmente é, sem interferências e sombras, ao compreender estas realidades liberamos Deus da culpa colocada sobre Ele, tal atitude é perdão a Deus!

É possível perceber o ressentimento para com Deus surgindo em algumas situações:

1º – Na vida daqueles que vivem indiferente a fé, como se Deus fosse algo inacessível e que não se importasse com os problemas do ser humano, em um ateísmo declarado ou não. Enxergam Deus como o culpado por todos males da humanidade desde as crises interiores até aos grandes dilemas como a fome, doenças ou guerra.

2º – Nos indivíduos receberam uma formação cristã, aprenderam na catequese sobre o Deus que é Pai, e até procuram ter uma vida de fé através das tradições e religiosidade, porém ainda sem uma experiência profunda e real do amor de Deus.

3º – A transferência da culpa também acontece no interior das pessoas que já conseguiram perdoar o próximo e a si mesmo. Que Sentem o amor de Deus e começam a ir mais fundo em sua espiritualidade, mudam de vida, deixando de lado o que antes afastava do Senhor, muitas vezes passam por grandes renúncias e vivem um lindo processo de conversão geralmente prestando algum serviço, são os servos e ministros do Senhor.

Quando o servo passa por tribulações e não é atendido no tempo e da maneira desejada, pode surgir em seu coração a neblina da desconfiança, principalmente ao perceber que aqueles julgados como pecadores,  maus e indignos estão prosperando. Infelizmente tenho visto muitas pessoas abandonarem toda uma vida ao lado do Senhor por não agüentarem mais esperar, ficando no coração apenas a mágoa para com Deus.

4º – No coração daqueles que se decepcionaram com a Igreja, seus ministros e pessoas que falam “em nome de Deus”, projetando sobre o Pai a frustração e a mágoa da decepção causada pelo suposto representante da sua Palavra.

Amigos, independente da situação, é preciso olhar além, saber que o primeiro interessado em nosso bem é o próprio Deus, pois nos ama incondicionalmente, que Ele é não é como o pai biológico com seus erros, que não é como aquele ministro da Palavra que não deu testemunho, e muito menos como um comerciante que negocia merecimentos para a benção.

Deus é Amor! Ele é o Pai Perfeito, incapaz de errar ou desejar o mau dos seus filhos tão amados.

Muitos gigantes da fé e profetas também passaram por crises na fé, como o salmista a  questionar o “mistério da prosperidade dos maus” (Salmo 72), mas eles não se estagnaram na dúvida, buscaram as resposta de coração humilde descobrindo um amor simples, porém intenso e efetivo, descobriram que basta apenas desarmar o coração e deixar o Pai se aproximar e nos amar, sem medo de ser feliz!

Libere Deus da culpa que você colocou sobre Ele, olhe para a Cruz, Ele te ama!

“Quando eu me exasperava e se me atormentava o coração, eu ignorava, não entendia, como um animal qualquer. 

Mas estarei sempre convosco, porque vós me tomastes pela mão. Vossos desígnios me conduzirão, e, por fim, na glória me acolhereis.

Afora vós, o que há para mim no céu? Se vos possuo, nada mais me atrai na terra.

Meu coração e minha carne podem já desfalecer, a rocha de meu coração e minha herança eterna é Deus.” (Sal 72, 21-26)

Ricardo Oliveira, Vida, Espiritualidade e Música

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QUE EU NÃO ESPERE

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“Minha vida é fugaz, uma hora que passa, minha vida é tão curta e se vai de repente.” (Teresa de Lisieux)

Notícias que chegam do Sul enchem o nosso país de dor e comoção, são mais de 200 vidas que se esvaíram de forma desastrosa.

Como milhares de brasileiros, permaneço orando pelas vítimas da tragédia em Santa Maria / RS, principalmente pelas famílias que agora terão que conviver com a insuportável ausência de quem partiu de forma inesperada.

Diante deste lúgubre cenário, e conduzido pelas palavras de Teresa de Lisieux, foi impossível não refletir sobre a qualidade das relações que tenho mantido em minha vida, é neste momento que surge a minha segunda oração:

“Que eu não espere pela perda da minha família e amigos, para chorar a dor e a culpa de não tê-los abraçado, beijado, demonstrado todo o meu amor com gestos e palavras, por não ter dado e pedido o perdão tão necessário. Mas quando esse dia chegar, e chegará, que minhas lágrimas sejam fruto de uma saudosa e amorosa convivência, que elas caiam em paz, abençoadas pela típica serenidade que habita a consciência de quem ama.

Que eu não espere a sociedade entrar em caos para me arrepender pela contribuição negada na cura do mal contemporâneo do consumismo egoísta, imediatista e inconsequente, o grande agente construtor das relações líquidas tão próprias de nossa época. São essas relações que formarão os futuros protagonistas do colapso social, causado pelo vazio interior daqueles que se distanciaram tanto de si próprios ao ponto de esquecerem quem realmente são.

Que eu não espere a perda das preciosas almas humanas, compradas ao preço do sofrimento e do sangue de um Deus que de tanto amar se fez homem, para me consumir no remorso de nada ter feito ao vê-las cair na escuridão, mas que minha voz, minhas mãos, meus pés, enfim toda a minha vida, seja usada para chegar aos corações que se afastaram do céu e esperam ansiosamente por uma palavra que os leve de volta para casa.

Que eu simplesmente, não espere… amém!”

Ricardo Oliveira, Vida, Espiritualidade e Música

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AS CHAVES DA CURA

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OLHANDO_HORIZONTE

PERDOAR A SI MESMO

“Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei.” (Mt 11,28)

Em momentos de desespero, desânimo e tentação, geralmente fazemos escolhas erradas, algumas delas podem ecoar pelo resto de nossas vidas, nos privando de situações e pessoas que talvez nunca mais voltem a confiar em nós.

Perdoar a si mesmo não significa se isentar da responsabilidade dos próprios atos e das consequências geradas por esses desacertos, mas do contrário, é assumi-los diante de si mesmo, daqueles a quem machucamos e de Deus.

Encarar a própria miséria, tal qual ela é, sem máscaras ou justificativas pode ser uma experiência extremamente difícil, ao se contemplar o rastro de destruição deixado pela tempestade emocional, a culpa pode levar ao desespero, uma porta de entrada para morte física e espiritual.

Vejamos dois grandes exemplos que a Bíblia nos indica: Pedro e Judas. Dois discípulos amados pelo mestre, duas traições preditas, duas reações diferentes.

Ao perceber o que fez, Pedro fica sem chão e “rompe em soluços” (Mc 14,72), chora amargamente a dor de traído o amor da sua vida, mas ao mirar os olhos do Senhor sente-se amado e acolhido, o olhar de Jesus não é de condenação ou ira, mas de uma pacífica misericórdia, a culpa se transforma em arrependimento que salva.

Enquanto isso Judas se isola, ele acha que seu crime é grande demais para ser perdoado e foge do olhar do Senhor, “tomado de remorsos” (Mt 27, 3-5) tira a própria vida, a culpa se transforma em desespero que mata.

Diante dessas duas situações fica o questionamento, como você está lidando com o fardo da culpa?

Se estiver fechando-se em si mesmo e fugindo da realidade, cuidado! Foi essa atitude que destruiu a vida de Judas.

Mas existe um outro caminho, e a Santa Palavra nos garante algo libertador a seu respeito: “ De agora em diante, pois, já não há nenhuma condenação para aqueles que estão em Jesus Cristo.” (Rom 8, 1).

A culpa pode ser vencida através de uma experiência de fé!

Ao se aproximar do Pai com humildade e coração aberto através da oração, toco em uma linda realidade: Sou amado, e todos os meus erros juntos não passam de um grão de areia diante da imensidão de sua misericórdia! O próprio Deus me aceita e perdoa em Jesus Cristo, mesmo se aquelas pessoas a quem eu machuquei ainda me culpem, o perdão que vem do Pai não depende delas, mas do arrependimento sincero do meu coração!

Quem não perdoa a si mesmo dificilmente sente o perdão e o amor do próprio Deus, portanto não perca mais tempo, não se esconda mais do Senhor! Entregue seus fardos a Ele e encontrarás alívio e sabedoria para lidar com os conflitos interiores!

No início deste novo ano quero lhe dar um precioso conselho: LIVRE-SE DA CULPA!

O único, verdadeiro e justo juiz dos corações não te condena, não faça isso por conta própria!

Eu tenho um coração, mas sou contradição… só Deus acerta sempre! (Pe. Zezinho)

Ricardo Oliveira, Vida, Espiritualidade e Música

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